O procedimento foi realizado em junho de 2023. A paciente afirma ter o rosto duro, cheio de nódulos e muito diferente do que era antes do procedimento. Lembre-se abaixo.
“Consequentemente, determinou que o réu estava proibido de realizar quaisquer procedimentos estéticos ou médicos enquanto prosseguisse a investigação”, diz trecho da decisão.
O marido dela, o farmacêutico Tiago Tomaz da Rosa, também é investigado e teve o registro também suspenso, segundo o Conselho Regional de Farmácia (CRF-PR).
“Caso comprovada a culpa ao longo do processo, as sanções aplicáveis serão determinadas de acordo com o Código de Ética”, diz o CRF.
O g1 entrou em contato com o CRM, mas não obteve resposta até esta publicação.
A defesa do médico e farmacêutico também não se pronunciou até a última atualização desta reportagem.
Anteriormente, no dia 9 de janeiro deste ano, a clínica alegou, em nota, que “o paciente não apresenta atualmente qualquer deformidade ou lesão em decorrência do procedimento estético realizado”.
A investigação
Dornelles contou que procurou a Clínica Revive para fazer um procedimento chamado “Sculptra”, para estimular a produção de colágeno na pele. No entanto, ela alega que o farmacêutico aplicou polimetilmetacrilato (PMMA) em seu rosto.
A substância foi indicada por exame de biópsia contratado pela vítima.
O rosto de Raquel ficou permanentemente deformado após o procedimento — Foto: Arquivo pessoal
Segundo o Conselho Regional de Farmácia (CRF-PR), o PMMA é uma substância sintética aprovada para uso médico em casos específicos, como cirurgias reconstrutivas, e não é recomendada para fins estéticos, devido ao alto risco de complicações, como inflamação, infecções e deformidades permanentes.
“No começo senti muita dor. Comecei a ter várias alergias. Não conseguia mais me olhar no espelho. Fui ao psiquiatra para tomar remédios. Nem meu marido me suportava, porque eu olhava para eu mesma no espelho, eu achei feio, quase terminei”, contou Raquel. g1.
Raquel conta que demorou cerca de 9 meses para entender que haviam realizado um procedimento diferente daquele que ela havia contratado.
Segundo ela, durante o procedimento relatou ao farmacêutico que estava sentindo muitas dores. No entanto, ele disse a ela que era um sintoma comum do “Sculptra”.
Em casa, a dor não passou e Raquel começou a notar que seu rosto estava inchado, momento em que decidiu procurar novamente a clínica. Ela conta que, na clínica, foi tratada, e que Tiago lhe contou que o inchaço era comum.
Raquel contou ainda que, no local, foi atendida pela esposa do farmacêutico, a dermatologista Carolina Milanezi Bortolon Rosa, que lhe contou que os efeitos colaterais foram decorrentes de uma alergia.
Segundo ela, até aquele momento ainda acreditava que se tratava de um efeito colateral do procedimento que havia contraído e tinha esperança de que o corpo absorvesse a substância aplicada, como seria de esperar ao usar o “Sculptra”.
Após não perceber melhoras, a empresária decidiu procurar atendimento dermatológico especializado. O médico que a atendeu desconfiou do produto utilizado e solicitou que ela fizesse um exame de biópsia, que indicou a presença de PMMA no rosto da paciente.
Afirmou ainda que, ao procurar o serviço, a paciente assinou um termo de consentimento e que, em consequência, foi levada à Justiça por declarações “caluniosas, difamatórias e injuriosas” sobre o procedimento.
Fiscalização constatou irregularidades na clínica, diz prefeitura
Em setembro de 2024, motivados pelo relatório feito ao Ministério Público, o Conselho Regional de Farmácia e o Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) realizaram vistoria na Clínica Revive.
Segundo o CRF, durante a fiscalização, a equipe constatou diversas irregularidades, entre elas o uso de PMMA.
O órgão afirmou ainda que a Clínica Revive já foi alvo de outras denúncias envolvendo práticas inadequadas e possíveis violações de normas sanitárias.
O g1 questionou a CRF sobre quais eram essas denúncias, quando foram feitas e se foram acompanhadas pelo conselho. No entanto, a agência não respondeu às perguntas.
A CRF disse ainda que está a realizar uma análise detalhada da denúncia, para garantir uma investigação completa e transparente, e que sejam tomadas as medidas necessárias.