O grupo BRICS, formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, é hoje um dos principais blocos econômicos e políticos do mundo, desafiando o domínio de países ocidentais na governança global. Recentemente, um deslize de Donald Trump ao falar sobre o BRICS reacendeu debates sobre sua importância e a relação dos Estados Unidos com os membros do bloco.
Neste artigo, exploramos a origem do BRICS, a relevância de sua recente expansão, o impacto da gafe de Trump e o papel do grupo no futuro da economia global.
O Que É o BRICS?
O BRICS nasceu com o objetivo de dar mais voz a economias emergentes em um sistema internacional dominado por nações ricas, como as do G7. O termo “BRIC” foi criado em 2001 pelo economista Jim O’Neill para destacar Brasil, Rússia, Índia e China como potências emergentes com grande potencial econômico. Em 2010, a África do Sul foi incluída no grupo, ampliando sua influência para o continente africano.
Desde então, o BRICS tem promovido a cooperação em áreas como comércio, desenvolvimento sustentável e governança global. O bloco também busca reformar instituições internacionais, como o FMI e o Banco Mundial, para refletir melhor o peso das economias emergentes.
A Expansão do BRICS
Um marco importante na história do BRICS ocorreu em 2023, quando o grupo anunciou a entrada de seis novos membros: Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Irã e Indonésia. Com essa expansão, o bloco aumentou sua representatividade global e passou a incluir países com influência estratégica em regiões como o Oriente Médio e o Norte da África.
A ampliação fortaleceu o papel do BRICS como uma alternativa ao G7 e deu mais peso às suas iniciativas de cooperação econômica e política. No entanto, a diversidade entre os membros também traz desafios, já que eles possuem sistemas políticos e prioridades muito diferentes.
Donald Trump e a Gafe sobre o BRICS
Em janeiro de 2025, Donald Trump, durante uma coletiva de imprensa, cometeu um erro ao afirmar que a Espanha fazia parte do BRICS. A declaração veio enquanto ele criticava países aliados da OTAN, como a Espanha, e ameaçava impor tarifas comerciais de 100% sobre o bloco.
O comentário gerou surpresa e repercussão global, já que a Espanha não faz parte do BRICS nem possui vínculos diretos com o grupo. Esse episódio trouxe à tona críticas à falta de precisão de Trump em questões de política internacional e destacou a crescente relevância do BRICS no debate global.
Apesar de ser um deslize pontual, o episódio mostrou como o BRICS tem se tornado um ator cada vez mais central nas discussões econômicas e geopolíticas, atraindo a atenção – e, por vezes, a preocupação – de potências como os Estados Unidos.
Relação entre os EUA e o BRICS
Historicamente, a relação dos Estados Unidos com o BRICS tem sido marcada por tensões e desconfiança. Durante o governo Trump, os atritos foram mais evidentes no relacionamento com a China, que lidera economicamente o bloco.
Uma questão especialmente sensível foi a proposta do BRICS de criar uma moeda própria para transações internacionais, visando reduzir a dependência do dólar americano. Embora essa ideia ainda esteja em estágio inicial, ela é vista como uma ameaça à hegemonia econômica dos EUA.
Além disso, a expansão do BRICS em 2023 adicionou novos fatores à equação. Países como Arábia Saudita e Irã, que têm importância estratégica global, agora fazem parte do grupo, aumentando sua capacidade de influenciar políticas globais, especialmente no setor energético. Para os EUA, esses movimentos reforçam a necessidade de acompanhar de perto as ações do bloco.
Desafios e Perspectivas do BRICS
Embora o BRICS tenha crescido em relevância e abrangência, ele enfrenta desafios internos significativos. As diferenças ideológicas entre seus membros – de democracias como Brasil e Índia a regimes autoritários como Rússia e China – dificultam a formulação de políticas unificadas.
No entanto, o bloco tem obtido avanços concretos, como a criação do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), que já financiou diversos projetos em países emergentes. Além disso, o BRICS segue defendendo uma maior representatividade do Sul Global nas instituições internacionais, como a ONU e o FMI.
Com a expansão e suas propostas de reforma, o BRICS pode se consolidar como um dos principais motores de transformação na governança global.
Trump sobre BRICS
O episódio envolvendo Donald Trump e o BRICS exemplifica como o bloco tem se tornado um ponto central nas discussões geopolíticas e econômicas. Embora ainda enfrente desafios internos, o BRICS continua a avançar em sua missão de promover um mundo mais multipolar e menos dependente das potências tradicionais.
Para os Estados Unidos, o fortalecimento do BRICS representa um desafio estratégico, especialmente em um momento em que o bloco amplia sua influência e busca alternativas ao sistema dominado pelo Ocidente. O futuro do BRICS dependerá de sua capacidade de equilibrar as diferenças entre seus membros e de continuar sendo um agente de transformação no cenário global.