“Na avaliação inicial foram encontradas múltiplas lesões com cerca de 1,5 cm de profundidade nos pontos mais profundos. A equipe de resgate realizou imediatamente os primeiros socorros, incluindo limpeza dos ferimentos e aplicação de medicamentos essenciais para o processo de cicatrização. Embora a extensão das lesões tenha sido expressiva, foi possível realizar o protocolo de tratamento “in loco”, sem necessidade de transferência do animal para o centro de reabilitação”, explica João Carlos Gomes Borges, Diretor de Pesquisa e Gestão e Diretor Coordenador Geral da FMA do Projeto Live o peixe-boi.
O animal sofreu múltiplas lesões de cerca de 1,5 cm nos pontos mais profundos. – Foto: Acervo FMA/PVPBM
O animal permaneceu em vida livre, sendo monitorado através de transmissores via satélite, o que permitiu aos profissionais continuarem a localizá-lo para realizar os procedimentos terapêuticos preconizados.
“O protocolo de tratamento adotado inclui o uso de medicamentos tópicos, com a finalidade de eliminar o processo inflamatório e infeccioso, estabelecendo a cicatrização das lesões encontradas. O tratamento continuará até que as lesões cicatrizem completamente, com estrela respondendo positivamente aos cuidados e sem efeitos colaterais”, afirma João Carlos.
Pesquisadores vêm cuidando da estrela e garantindo que ela receba os medicamentos necessários até a cicatrização completa da ferida – Foto: Acervo FMA/PVPBM
O prognóstico para a recuperação da estrela é positivo, pois continua a alimentar-se espontaneamente no seu habitat natural, consumindo erva, principal componente da sua dieta herbívora. O peixe-boi, além de sobreviver a acidentes, também tem enfrentado outros perigos como a aproximação inadequada de turistas e até a contaminação de manchas de petróleo que atingiram o litoral Nordeste em 2019.
Segundo o Projeto Peixe Viva-Bole, o risco de atropelamento de animais aquáticos ocorre durante todo o ano, mas no período de verão, considerando o maior número de embarcações operando na região, os animais ficam mais suscetíveis.
Para evitar acidentes, existem algumas orientações, como:
● Antes de ligar o motor, olhe em volta e certifique-se de que não há ninguém por perto.
● Caso aviste um peixe-boi durante a navegação, reduza a velocidade e/ou desligue o motor para evitar ferimentos graves ou até fatais;
● Regulação de rotas de navegação e velocidade;
● Implantação de protetores de hélice nos motores das embarcações;
“Em relação aos protetores de hélices existe regulamentação obrigatória em algumas unidades de conservação que, por meio do plano de manejo, estabeleceram regulamentação específica. Como exemplo disso, destacamos a APA Costa dos Corais/ICMBio e a APA da Barra de Mamanguape/ICMBio. ”, explica o diretor.
Além da estrela, no estado de Sergipe há indícios de outros dois animais que visitam a região em determinados períodos, principalmente no verão.
Resgatada em 1991 após ser encontrada, ainda filhote, encalhada na praia de Aracati (CE), estrela foi levada para o Mamíferos Aquático/ICMBio e, após três anos, reintroduzida na região de Paripueira (AL).
Heartfish Astro vive no Rio Vaza-Barris (SE) e no Complexo Estuarino Piauí-Fundo-Real até o Manguezal do Seco, Litoral Norte da Bahia. – Foto: Divulgação/Mamíferos Aquáticos
Já em 1998, Star mudou-se para o litoral de Sergipe onde permanece até hoje se deslocando em uma área entre o Rio Vaza-Barris (SE), do Complexo Estuarino Piauí-Fundo-Real até Mangue Seco, litoral norte da Bahia.