As ações da Petrobras (PETR4) registraram uma queda acentuada nesta quinta-feira, 27 de fevereiro de 2025, após a divulgação de resultados financeiros do quarto trimestre de 2024 que ficaram abaixo das expectativas do mercado. Além disso, um aumento inesperado nos gastos de capital contribuiu para a apreensão dos investidores, resultando em uma desvalorização significativa dos papéis da estatal.
Contexto: Resultados Financeiros e Investimentos Surpreendentes
No quarto trimestre de 2024, a Petrobras reportou um prejuízo líquido de R$ 17 bilhões, atribuído principalmente a eventos não recorrentes, como variações cambiais negativas, redução nos preços do Brent e volatilidade no mercado de diesel. Esse desempenho contrastou fortemente com o lucro líquido de R$ 32,6 bilhões registrado no terceiro trimestre do mesmo ano. No acumulado de 2024, o lucro líquido foi de R$ 36,6 bilhões, representando uma queda de 70,6% em relação ao ano anterior.
Além dos resultados financeiros aquém do esperado, a Petrobras surpreendeu o mercado ao anunciar investimentos de capital de US$ 16,6 bilhões em 2024, valor 15% superior à meta estabelecida anteriormente. Esse aumento nos investimentos foi justificado pela nova direção da empresa como parte de uma estratégia para acelerar o desenvolvimento econômico e a geração de empregos no país.
Reação do Mercado e Desempenho das Ações
A divulgação desses resultados e o aumento nos investimentos geraram uma reação negativa no mercado financeiro. As ações preferenciais da Petrobras (PETR4) abriram o pregão em queda de 3,40%, sendo cotadas a R$ 36,66, enquanto as ações ordinárias (PETR3) recuaram 3,78%, para R$ 39,98. Ao longo do dia, a desvalorização se acentuou, com as ações ordinárias chegando a cair mais de 6%.
Analistas destacaram a redução de 38,7% no EBITDA ajustado e o aumento nos investimentos como pontos de preocupação, especialmente devido à menor distribuição de dividendos resultante desses fatores. A decisão da Petrobras de distribuir R$ 9,1 bilhões em dividendos, utilizando reservas de caixa, também foi recebida com cautela pelos investidores.
Perspectivas e Estratégia da Petrobras
A nova gestão da Petrobras, sob a liderança da CEO Magda Chambriard, enfatizou a necessidade de a empresa se tornar “o mais robusta possível” para garantir sua sustentabilidade a longo prazo. A estratégia atual inclui a expansão das atividades em áreas como perfuração offshore, biocombustíveis e fertilizantes, com um aumento de 9% no orçamento de capital para os próximos cinco anos, totalizando US$ 111 bilhões. Essa abordagem visa alinhar a empresa com a visão do governo de estimular a economia e gerar empregos locais.
No entanto, essa mudança estratégica e o aumento nos investimentos suscitaram debates sobre o equilíbrio entre crescimento, diversificação e rentabilidade. A decisão de manter a distribuição de dividendos, mesmo diante de prejuízos, foi vista por alguns analistas como uma medida para manter a confiança dos acionistas, enquanto outros expressaram preocupações sobre o impacto dessa política na saúde financeira da empresa.
Conclusão
A queda nas ações da Petrobras reflete a combinação de resultados financeiros abaixo do esperado e um aumento inesperado nos gastos de capital, fatores que geraram incertezas entre os investidores. A nova estratégia da empresa, focada em expansão e diversificação, busca posicionar a Petrobras como um motor de desenvolvimento econômico e geração de empregos no Brasil. Contudo, o desafio reside em equilibrar esses objetivos com a necessidade de manter a rentabilidade e a confiança do mercado. O desempenho futuro das ações da Petrobras dependerá da eficácia com que a empresa implementará sua estratégia e gerenciará os riscos associados a esse novo direcionamento.