Relatório preliminar aponta falha na torre de controle durante colisão aérea em Washington

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Investigação inicial revela sobrecarga de trabalho na equipe do Aeroporto Ronald Reagan e problemas de comunicação entre os controladores

Um relatório preliminar divulgado pela Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA) apontou falhas operacionais na equipe da torre de controle do Aeroporto Ronald Reagan durante o trágico acidente aéreo que envolveu um avião comercial e um helicóptero militar na noite de quarta-feira, 29 de janeiro. O incidente resultou na morte de todas as pessoas a bordo das duas aeronaves.

A colisão ocorreu nas proximidades do aeroporto, em Washington, D.C., e envolveu um avião da American Airlines, que transportava 64 passageiros, e um helicóptero do Exército dos Estados Unidos, com três tripulantes. Segundo informações publicadas pelo jornal “The New York Times”, a investigação inicial da FAA revelou que a equipe da torre de controle não estava funcionando “normalmente”, considerando o horário da noite e o volume de tráfego aéreo naquele período.

Equipe sobrecarregada

O relatório indicou que o controlador responsável pelo tráfego aéreo de helicópteros na área também estava responsável por orientar os aviões comerciais que estavam prestes a pousar ou decolar. Isso gerou uma sobrecarga no profissional, que deveria estar assistido por outros controladores, como é o procedimento padrão. Segundo o “The New York Times”, essa carga adicional de trabalho pode ter complicado o trabalho dos controladores, dificultando as comunicações e a coordenação adequada entre as aeronaves.

“A carga de trabalho do controlador aumentou consideravelmente, o que pode ter afetado a precisão das instruções dadas aos pilotos,” afirmou uma fonte ligada à investigação. Devido ao fato de os controladores utilizarem diferentes frequências para comunicação com aviões e helicópteros, é possível que os pilotos não tenham conseguido se ouvir e coordenar suas manobras a tempo, o que pode ter contribuído para o acidente.

Problemas de pessoal e longas jornadas de trabalho

Outro fator apontado pela investigação foi a escassez de pessoal na torre de controle do aeroporto. Relatórios da FAA indicam que, embora haja uma meta de 30 controladores no local, apenas 19 estavam devidamente certificados para o trabalho até setembro de 2023. A falta de efetivo tem levado alguns controladores a trabalhar jornadas de até 10 horas por dia, seis dias por semana, o que tem aumentado ainda mais o estresse e a sobrecarga de trabalho, conforme informou o “The New York Times”.

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“A falta de pessoal na torre de controle tem sido uma preocupação há anos e, infelizmente, a escassez de recursos humanos pode ter contribuído para o desastre,” disse um especialista em segurança aérea.

Colisão no ar sobre o rio Potomac

O acidente ocorreu sobre o gelado rio Potomac, próximo ao Aeroporto Ronald Reagan. A gravação das comunicações de tráfego aéreo obtida pelo LiveATC.net e divulgada pela Reuters revelou detalhes importantes sobre os momentos finais antes da colisão. A gravação mostrou que o controlador de tráfego aéreo ordenou ao helicóptero, identificado como PAT25, que passasse atrás do avião da American Airlines.

Poucos segundos depois, outra aeronave entrou em contato com a torre, aparentemente alertando sobre o impacto iminente. “Bateu, bateu, bateu, isso é um alerta três,” disse um dos controladores, indicando o momento da colisão.

A explosão resultante da colisão foi registrada no ar, e ambos os veículos caíram no rio Potomac. O controle de tráfego aéreo imediatamente suspendeu as operações de voo no aeroporto. “Tanto o helicóptero quanto o avião caíram no rio,” afirmou um dos controladores, enquanto outro informou que as aeronaves provavelmente estavam localizadas no meio do rio.

Treinamento militar e investigações em andamento

A agência de notícias Associated Press (AP) relatou que o helicóptero do Exército dos Estados Unidos estava em uma missão de treinamento no momento do acidente. A FAA, em colaboração com outras autoridades de aviação, continua a investigar as causas exatas da colisão e os fatores que levaram à falha na coordenação e comunicação entre as equipes de controle e as aeronaves envolvidas.

O acidente é considerado o mais letal dos Estados Unidos desde 2001 e levanta questões sobre a segurança operacional nos aeroportos do país, especialmente em relação à sobrecarga de trabalho e à escassez de pessoal nos centros de controle de tráfego aéreo.

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