Evento em Io, lua de Júpiter, gera energia seis vezes maior que toda a produção elétrica global
Cientistas da missão Juno, da NASA, divulgaram uma descoberta surpreendente: a maior erupção vulcânica já registrada no Sistema Solar. O fenômeno foi identificado em Io, uma das luas de Júpiter e conhecida como o corpo celeste mais vulcânico de nossa vizinhança planetária.
De acordo com os pesquisadores, a erupção, localizada na região sul de Io, cobre uma área maior que o Lago Superior, o maior lago de água doce do mundo em extensão. Além disso, o evento libera uma energia equivalente a seis vezes toda a eletricidade gerada globalmente.
Instrumentos avançados capturam fenômeno extremo
A erupção foi registrada pelo instrumento JIRAM, acoplado à sonda Juno, que capturou dados inéditos durante seu sobrevoo pelo satélite natural.
“Durante a fase prolongada da missão Juno, a sonda passou duas vezes muito perto de Io”, explicou Scott Bolton, líder da missão.
“Embora cada sobrevoo tenha nos trazido informações fascinantes sobre essa turbulenta lua de Júpiter, os dados obtidos no último — mesmo sendo o mais distante — superaram todas as expectativas. Esta é a erupção vulcânica mais poderosa já registrada no mundo mais vulcânico do nosso Sistema Solar.”
Descoberta indica processos geológicos complexos
Os cientistas detalharam que o calor extremo detectado não é resultado de uma única erupção isolada. A análise mostrou que a área contém vários focos vulcânicos próximos entre si.
“Isso sugere a existência de um vasto sistema de câmaras de magma sob a superfície da lua, indicando processos geológicos mais complexos do que imaginávamos”, afirmou Alessandro Mura, co-investigador da Juno e pesquisador do Instituto Nacional de Astrofísica de Roma.
Segundo Mura, o JIRAM, projetado para captar radiação infravermelha, desempenhou um papel crucial ao identificar o intenso ponto quente no hemisfério sul de Io.
“O evento de radiação infravermelha foi tão extremo que saturou nosso detector”, acrescentou o pesquisador.
Investigações futuras
Além do registro da erupção, imagens capturadas pela JunoCam em 2024 mostraram mudanças significativas na superfície de Io, especialmente na região próxima ao polo sul.
Com base nesses dados, os cientistas esperam aprofundar os estudos sobre os efeitos das erupções vulcânicas na superfície da lua e o que elas podem revelar sobre o interior do satélite natural.
“Queremos aprimorar nosso entendimento sobre os vulcões, não só em Io, mas também em outros mundos do Sistema Solar”, concluiu Bolton.
A missão Juno, que orbita Júpiter desde 2016, segue em sua fase estendida até setembro de 2025, ou até o fim de sua vida útil.